Neurologista e músico afirma: ‘A música muda o cérebro’

Médico neurologista e músico, Mauro Muskat têm dedicado sua carreira a pesquisa do impacto da música no desenvolvimento infantil. Em entrevista ao Lunetas ele conta que ter estudado regência e composição foi essencial para sua carreira de neurologista. Sua linha de trabalho apoia-se na premissa de que a música é um potente instrumento de neurodesenvolvimento da criança e de suas funções cognitivas.



Muskat orienta trabalhos de mestrado e doutorado sobre neurociência educacional.


“Orientei pesquisadores que veem a música não só para a reabilitação, mas que veem sua importância para a formação e desenvolvimento das crianças. É um campo que eu tenho fascinação e que veio complementar minha formação musical” afirma.


Além de orientar pesquisas neste campo, Mauro, atua como coordenador do Núcleo de Atendimento Neuropsicológico Interdisciplinar Infantil (NANI) do Departamento de Psicobiologia da Unifesp – Universidade Federal de São Paulo. O Nani é um núcleo especializado no diagnóstico interdisciplinar e em pesquisas dos transtornos do neurodesenvolvimento.





O que é Neuropsicologia do desenvolvimento?


A Neuropsicologia do desenvolvimento se refere ao campo do conhecimento que visa compreender as relações complexas entre o cérebro e o desenvolvimento, estabelecendo as bases do desenvolvimento psicológico, cognitivo e comportamental da criança.


“Hoje sabemos que a música tem um efeito diretamente na plasticidade cerebral. Até aumenta o cérebro de tamanho. Um cérebro de um músico é diferente de um cérebro de um não músico”, enfatiza.

O uso da música para fins terapêuticos apoia-se na capacidade da música estimular uma série de reações fisiológicas que fazem a ligação direta entre o cérebro emocional e o cérebro executivo. A música estimula a flexibilidade mental, a coesão social fortalecendo vínculos e compartilhamento de emoções que nos fazem perceber que o outro faz parte do nosso sistema de referência. 


Isso significa que, quando uma criança está com contato com a música, ela pode não só lidar com as próprias emoções como também entrar em conexão com o comportamento do outro. “É o que a gente chama de cognição social, que é responder com base na sua subjetividade mas também na experiência do outro”, declara Mauro.


A exposição à música em diversos ambientes contribui para a construção de um cérebro biologicamente mais conectado, fluido e criativo. Crianças que tem contato com a música apresentam respostas fisiológicas mais amplas, maior atividade das áreas associativas cerebrais, maior grau de neurogênese (formação de novos neurônios em área importante para a memória como o hipocampo) e diminuição da perda neuronal (apoptose funcional).


O médico desvenda como a música também pode ser uma aliada contra imediatismo que estamos vivendo com o advento da tecnologia. “‘Ficar dentro de máquinas’ pode acarretar comportamentos bastante alienados nas crianças, não é reforçado o papel de esperar, sincronizar com o outro e só fortalece o imediatismo”, finaliza.


Fonte: https://lunetas.com.br

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